Inovação social na prática: novos rumos do Instituto Mano Down

Redação
março16/ 2018

O dia 17 de fevereiro foi um marco para o Instituto Mano Down. Com mais de 5 anos de atuação na causa do desenvolvimento e inclusão social de pessoas com deficiência intelectual, com foco na Síndrome de Down, o Instituto definiu novos rumos e oficializou para parceiros e apoiadores o seu planejamento estratégico, baseado no modelo de Inovação Social.

A grande novidade é que o Mano Down, que até então era mantido apenas com ações filantrópicas, vem passando por um processo de profissionalização da sua gestão administrativa-financeira e, a partir dessa mudança, atuará como um empreendimento de impacto social, ou seja, que gera recursos para manter e investir em sua estrutura e em seus projetos.

Assim como o Instituto Mano Down, muitas ONGs, OSCIPs e outras instituições, estão trilhando esse mesmo caminho, com o objetivo de buscar a sustentabilidade administrativa-financeira, necessária para a manutenção e a ampliação dos projetos socioambientais.

Apenas para se ter uma ideia, de acordo com o Primeiro Mapeamento Brasileiro de Negócios de Impacto Socioambiental, divulgado pela Pipe Social, no Brasil existem 579 negócios de impacto sociais ativos. Desse total 63% está concentrado na região sudeste do Brasil. Setenta por cento já estão formalizados e 40% tem menos de 3 anos de fundação.

Dentre as áreas de atuação dos Negócios de Impacto Social no Brasil, a maior parte está focada na Educação – 38%, seguido por Tecnologia Verde – 23%, Cidadania – 12%, Saúde – 10%, e Finanças Sociais – 9%.

Dos negócios mapeados, 7% apuraram o faturamento anual acima de R$ 2,1 milhões. E ainda é grande o número de empreendimentos sociais que estão em busca de investimentos – 79%, para se manter ou ampliar a sua atuação.

Mas, o que é inovação social?

Desde os primórdios, o lucro sempre foi a força que moveu qualquer empresa. A lógica era simples: a empresa desenvolve produtos e serviços para serem vendidos para o consumidor, gerando dinheiro para o empresário e mais investimentos para o negócio.

Empresa foi feita para gerar lucro. E, para lidar com causas socioambientais existem governo, ONGs, Institutos e outras organizações movidas por assistencialismo e filantropia, certo?

Errado. Já alguns anos essa lógica tem mudado. Europa e Estados Unidos já possuem grande número de empreendedores sociais que aliam tecnologia e criatividade na elaboração de estratégias e modelos de negócio, para monetização e atendimento das novas necessidades da sociedade.

A nova geração busca mais do que apenas rentabilidade. Ela quer solucionar velhos problemas de maneira ágil e eficaz. Ela busca respostas, soluções criativas e diferenciadas para lidar com as dificuldades sociais e econômicas, até então, não atendidas pelo Estado ou pelo mercado convencional. E ela paga por isso.

A inovação social atende às mais diversas necessidades socioambientais, tais como: condições de trabalho, inclusão digital, educação, saúde, inclusão social, desenvolvimento de comunidades, preservação ambiental, combate às epidemias, entre outros.

E poder ser feita por uma empresa formal, startup, instituto, ONG ou apenas por um empreendedor. O mais importante é que ela muda o conceito de que para promover uma transformação social é necessário filantropia, assistencialismo ou caridade.

Na verdade, ela requer que o negócio seja profissional e sustentável financeiramente, para que tenha continuidade e efetivamente gere impacto social positivo. Ela compete dentro das regras do capitalismo, porém tem um objetivo maior que é o desenvolvimento social.

Há 6 meses, o Instituto Mano Down passou por um processo de consultoria, baseada em uma metodologia de gestão e empreendedorismo internacional, que tem como pilares os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

A partir desse processo, o Instituto Mano Down tem profissionalizado a sua gestão administrativa-financeira, incluído em seu quadro novos profissionais, buscado novas formas de captação de investimentos e da geração de recursos financeiros para ampliar a sua atuação.

E os resultados já começaram a aparecer: reforma da sede, novas atividades, novas aulas, integração das áreas saúde-arte, lançamento do projeto Talento Apoiado para inserção de jovens e adultos no mercado de trabalho, entre outros.

De acordo com o fundador do Mano Down, Leonardo Gontijo, a profissionalização é essencial para que o Instituto tenha uma estrutura sólida, que possibilite a continuidade dos projetos e, consequentemente, o atendimento adequado às pessoas com Síndrome de Down, seus familiares, empresas, profissionais e instituições que atuam nessa área.

Temos como propósito criar metodologias para proporcionar o desenvolvimento acelerado das pessoas com deficiência, integrando saúde, artes, educação, atividade física e tecnologia. Para isso, precisamos profissionalizar a nossa gestão, garantir a sustentabilidade financeira do instituto e estabelecer um relacionamento positivo com empresas, startups e poder público. Isso nos permitirá manter e ampliar a atuação do Instituto e, como consequência, incluir mais pessoas”, enfatiza Leonardo.

O próximo passo agora será o lançamento do Programa Legado 21. Trata-se da criação de uma rede colaborativa, em que as pessoas poderão se associar à causa, apoiar os projetos desenvolvidos e, ao mesmo tempo, ter acesso a uma série de benefícios.

Ao se tornar um Sócio Legado 21, a pessoa passa a contribuir mensalmente com o valor de R$21,00 (alusão à causa), pelo período de um ano, podendo renovar automaticamente a sua participação.

Em contrapartida, o sócio passa a ter acesso a um clube de descontos, formado por uma rede com mais de 5 mil estabelecimentos em todo o Brasil, entre eles faculdades, cursos, restaurantes, academias, livrarias, produtos de beleza, vestuário, calçados, eletrodoméstico e muito mais.

Como explica Leonardo, não se trata de uma doação, o sócio tem um retorno daquilo que está investindo. “Ele tem direito à uma rede de benefícios, passa a conhecer mais de perto os projetos e ações que estão sendo desenvolvidas pelo Instituto e terá acesso às informações para combater o preconceito e os mitos a respeito das pessoas com deficiência”, explica.

Caso você tenha interesse em fazer parte desse Legado, envie seu email para camilo@manodown.com.br. Você poderá testar os benefícios e fazer parte desse clube do bem!

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