Brasil possui mais de 400 startups especializadas em SaaS, aponta estudo

Redação
julho31/ 2017

O Brasil possui mais de 400 startups especializadas em software como serviço (SaaS, na sigla em inglês), 71% das quais criadas e mantidas por investimentos próprios. A grande maioria dessas empresas está na região Sudeste e tem menos de 50 funcionários. Os dados constam da primeira edição do estudo “Brazil SaaS Landscape Research”, realizado pelas empresas SaaSholic, Rock Contente, Signal Hill e Redpoint eVentures.

O levantamento revela que quase 50% das startups SaaS estão sediadas em São Paulo, sendo que 41% das que ultrapassaram R$ 1 milhão em taxa de retorno contábil (ARR, ou a receita média anual dividida pelo investimento inicial) também são baseadas no Estado. Em seguida, aparece Santa Catarina, com um ritmo acelerado de crescimento, e Minas Gerais, em terceiro lugar.

Em termos de valorização das startups, a média do múltiplo de AAR para rodadas SaaS é de seis vezes, segundo o estudo. Mas o que chama atenção mesmo é o fato de mais de 71% das empresas SaaS no Brasil serem criadas e mantidas por investimentos próprios. A pesquisa mostra que daquelas que escolheram buscar por capital, somente 10% levantaram mais que R$ 10 milhões — cerca de US$ 3 milhões.

O estudo também constatou um grande interesse de empresas de capital de risco por empresas SaaS. Fundos como Redpoint, Monashees+ e Ebricks estão apostando alto no mercado SaaS. Esse interesse se explica. Segundo o relatório do Brazil SaaS Landscape Research, as empresas brasileiras estão cada vez mais abertas à adoção de soluções de TI no modelo de SaaS, hoje o mais utilizado para entregar serviços pela nuvem — 92% das empresas já adotam pelo menos uma solução SaaS.

Outro dado interessante é que quando se olha para um negócio SaaS já maduro nos EUA, verifica-se que várias empresas levam mais que 12 meses para recuperar seu custo de aquisição de clientes (CAC). “No Brasil, de acordo com os participantes da pesquisa, mais de 60% das empresas recuperam seu CAC em menos de sei meses. Além disso, startups locais possuem finanças saudáveis. 67% delas têm uma relação de LTV [valor do tempo de vida do cliente] e CAC pouco superior a três meses”, destaca Diego Gomes, cofundador da RockContent, em post publicado no Medium.

O relatório indica também que, aparentemente, as startups SaaS brasileiras abraçaram o inside sales como seu principal canal de distribuição, sendo usado por 52% das empresas. Vendas de campo (42%) e vendas self-service (37%) seguem como os canais mais utilizados no Brasil (veja gráfico abaixo).

O fenômeno de SaaS enabled marketplace também está acontecendo no Brasil. Vinte e seis por cento das empresas pesquisadas possuem algum componente de marketplace em suas ofertas. “Algumas empresas adotaram características do marketplace em seus produtos SaaS, e parecem ter sucesso com isso”, diz Gomes.

Para a pesquisa, foram feitas 597 entrevistas em maio deste ano. Praticamente metade dos participantes (49%) eram CEOs de startups SaaS. Os resultados, na opinião de Gomes, são fortes indicadores de que o mercado de SaaS brasileiro atingiu um ponto de inflexão, o estágio onde, a partir de agora, o crescimento do mercado é inevitável.

Fonte: Computerworld

Apoiadores