Amor e inovação: mãe cria fixação de traqueostomia para dar mais conforto para filha

Redação
julho19/ 2016

A propensão que algumas pessoas têm para solucionar problemas, face às dificuldades (algumas quase insolúveis), foi o que impulsionou dois microempreendedores individuais (MEIs) mineiros a produzirem aparelhos que facilitam a vida de outras pessoas. Uma delas é a ex-funcionária de uma construtora, a belo-horizontina Lucimar Helena que, por conta de uma deficiência da filha, criou uma peça que fixa o aparelho hospitalar usado após cirurgia de traqueostomia.

Aos 29 anos, Lucimar ganhou a filha Yasmim Helena, que nasceu com uma doença genética – amiotrofia muscular espinhal (uma deficiência nos músculos, que os torna fracos). Após múltiplos exames médicos (Lucimar teve que abandonar o emprego para cuidar da filha), Yasmim foi submetida a uma traqueostomia (incisão na traqueia para fixar a cânula, um tubo que leva oxigênio aos pulmões) e, desde então, usa-o 24 horas por dia. A menina, hoje com seis anos, vive uma rotina de fisioterapias e cuidados constantes, usa a ventilação mecânica, alimenta-se por sonda e não fala (afinal, a língua também é um músculo), mas é uma criança esperta e inteligente, que vai à escola e leva uma vida quase normal. No pescoço, a onipresente cânula, sustentada pela criação da mãe, batizada de “Fixação de Traqueostomia”.

“Minha filha tem alergia a muitos materiais e então comecei a pesquisar algo que poderia segurar a cânula e oferecer o máximo de conforto. Tentei vários tecidos até chegar ao feltro”, explica Lucimar. A peça, uma espécie de colar, é fechada com um velcro e é absolutamente segura. A mãezona empreendedora comprava a matéria-prima chinesa mas descobriu que a brasileira (adquirida numa fábrica em São Paulo) é mais macia, segura e durável. Depois que passou a usar sua Fixação de Traqueostomia na pequena Yasmim, Lucimar foi instigada por médicos e fisioterapeutas a comercializá-la. E foi o que fez, utilizando-se das redes sociais. Começou pelo boca a boca, depois pelo finado Orkut, migrou para o Facebook e hoje o seu maior canal de vendas é o WhatsApp.

Com clientes em várias partes do país, Lucimar entrega uma média de 500 unidades por mês. Junto com o produto vão as recomendações (“não passar”, “não lavar na máquina”), o que aumenta a sua vida útil. Os principais diferenciais da invenção são a segurança e a criatividade, com peças estilizadas e coloridas. “Nos hospitais tudo é branco. Minha peça, com cores vivas e velcro na mesma cor do tecido, quebra esta imagem e ainda minimiza o choque que as pessoas normalmente têm diante de uma cânula de traqueostomia”, ensina. Entre seus potenciais clientes, algumas homes care (atendimento médico domiciliar) já procuraram a empreendedora. Para garantir a paternidade do seu produto, Lucimar procurou o Sebrae em busca de informações sobre como patenteá-lo e acerca da figura do MEI.

 

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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