A emigração dos Youtubers e o que esse movimento diz sobre negócios em vídeo

Redação
outubro10/ 2017

Você sabe quanto ganha um Youtuber? Parece que ultimamente apenas o dinheiro não tem sido suficiente para manter os produtores nessa rede.

Afinal, enquanto muita gente sonha em ser um influenciador e vemos nascer até mesmo cursos de graduação focados nessa temática, grandes figuras que surgiram no YouTube e nele construíram sua carreira e história estão abandonando essa rede, total ou pelo menos parcialmente.

Essa semana, quase ao mesmo tempo em que Felipe Neto – um dos maiores Youtubers do país – anunciava sua saída da plataforma e o lançamento de seu aplicativo oficial, Whindersson Nunes – dono do canal com mais inscritos no mundo – anunciava também um projeto paralelo ao canal, focado em ensinar as pessoas a serem Youtubers.

E esse não é um processo novo. Há um bom tempo, estamos vendo figuras importantes do YouTube traçando caminhos paralelos à ele e focando seus esforços em outras atividades. Por exemplo, Kéfera, do canal 5inco Minutos, há mais de 7 anos nessa rede, depois de ter lançado livro e participado de inúmeras campanhas publicitárias, tem se concentrado mais na carreira de atriz e até lançou um filme.

O mesmo aconteceu com o pessoal do Porta dos Fundos. Depois de estourar no YouTube e de ser um dos canais mais populares da rede, o Porta dos Fundos criou seu site oficial – em que além dos vídeos faz suas próprias publicidades e merchandising – e também foi para a TV. Primeiro, teve espaço na Fox, com um programa que durou 2 temporadas, e agora foi adquirido pela Viacom, grupo dono de canais como a Nickelodeon e a MTV, com a intenção de internacionalizar.

E no final das contas, o que isso nos diz sobre o mercado de vídeos e seus negócios?

Uma coisa é certa: o YouTube não está sendo capaz de suportar as demandas e o grande sucesso de quem trabalha nessa rede.

Com um modelo de monetização extremamente limitado e algoritmos super secretos, o YouTube não tem conseguido entregar bons resultados mesmo aos seus melhores produtores, que acabam então tendo a necessidade de sair da rede e buscar alternativas à ela.

Felipe Neto, por exemplo, ao lançar seu aplicativo, praticamente declarou guerra à plataforma e reclamou não só da monetização limitada e dos algoritmos secretos, como também do tratamento recebido por parte dos gestores da rede – que não lhe ofereciam suporte.

Em uma entrevista sobre o assunto, ele chegou a dizer: “Eles podem interferir no número de visualizações dos canais e com isso alterar quanto vão pagar a quem produz os vídeos.”.

E se nem Felipe Neto, dono de um canal com 14 milhões de inscritos, estava satisfeito com o YouTube, imagine os pequenos produtores?

Hoje, apenas para começar a ganhar dinheiro nessa plataforma, qualquer produtor precisa ter pelo menos 10 mil visualizações em seu canal, e conseguir esse número não é tão simples quanto muitos imaginam (você pode ler mais sobre a monetização do YouTube aqui). De acordo com uma pesquisa realizada pela Samba em 2017, 85% dos produtores de vídeo não atingem nem 1.000 visualizações em cada vídeo postado e 36% não chegam a registrar nem 100 visualizações. Uma situação complicada para quem quer ter sucesso no YouTube.

Por isso, cada vez mais as pessoas estão buscando alternativas à essa rede e oferecendo seus conteúdos em portais exclusivos, como Web TVs, aplicativos, canais por assinatura, portais de cursos e etc. Isso porque, assim, elas conseguem ter modelos mais flexíveis de monetização do conteúdo – definidos por elas – e ganham muito mais do que no YouTube.

Os negócios digitais baseados na produção de conteúdo em vídeo estão cada vez mais populares e não existe segredo: se seu conteúdo é de qualidade e você sabe bem como fazer sua divulgação, ele vai fazer sucesso mesmo fora do YouTube. É preciso não ter medo de apostar nisso!

Existe vida além do YouTube e os grandes produtores estão descobrindo isso. É hora de seguir a tendência e os passos dessas pessoas em direção ao sucesso.   

Apoiadores