Um futuro para a educação pública no Brasil

Um futuro para a educação pública no Brasil
Larissa Borges
março08/ 2016

A educação pública é um dos maiores problemas no Brasil. Faltam recursos, faltam programas de incentivo e falta interesse por parte dos alunos, professores, governo e comunidade para que o ensino melhore. Porém, não faltam esperanças de que a educação pública pode mudar.

Um exemplo de que a educação pública tem futuro no Brasil é o Quero na Escola. A plataforma foi criada por Cinthia Rodrigues, Luciana Alvarez, Luísa Pécora, Marina Morena Costa e Tatiana Klix, durante o Social Good Brasil Lab, laboratório de inovação social, com o objetivo de mudar a relação entre escola e comunidade.

“Sou jornalista da área há quase 10 anos e acredito muito na importância desta conexão entre escola e comunidade. Penso que o potencial é enorme e hoje os canais são raros. Durante o processo que permeou todo o ano de 2015, eu e as outras fundadoras, pesquisamos ideias que pudessem mudar este cenário. Primeiro, entrevistamos professores para saber quais eram suas frustrações e, uma delas, era o desinteresse dos alunos. Depois, entrevistamos os alunos e percebemos que na verdade eles não tinham os interesses atendidos e acabavam com esta postura de ‘desinteressados’. Daí pensamos, como sabemos os interesses dos alunos para poder ajudá-los? Então, surgiu a ideia”, conta Cinthia Rodrigues.

A fundadora ainda revela que, as expectativas com a Quero na Escola é criar um caminho claro para a que sociedade também faça sua parte para mudar a qualidade da educação, o que acaba sendo o diferencial da ideia. “Nossa instituição começou com o que realmente era uma necessidade, acho que vem daí o rápido ‘abraço’ que recebemos de tanta gente. Ainda não sabemos como exatamente vamos tornar o modelo sustentável, mas já atendemos centenas de alunos, abrimos escolas, ganhamos a simpatia de gestores, mudamos muito a dinâmica nos lugares que se abriram para gente”, frisa.

Como funciona o Quero na Escola?

Cinthia explica que o Quero na Escola funciona da seguinte forma: o estudante de escola pública cadastra um desejo de aprender algo além do programa de conteúdo oferecido pela escola. As páginas com esses pedidos ficam disponíveis para voluntários, que se sabem o conteúdo, se cadastram na plataforma. Aí, o time da empresa agenda esse encontro.

Embora use as redes sociais e a internet para promover a interação entre escola, alunos e voluntários, Cinthia afirma que a principal tecnologia para colocar a ideia em prática é a humana. “O nosso time está realmente conversando com todos. Achamos que mais do que o conteúdo que os alunos pedem importa a conexão que se forma”.

De cerâmica a feminismo, não importa o tema, desde que tenha a conexão entre a escola, o aluno e o voluntário, o Quero na Escola se esforça a realizar. Cinthia conta duas situações diferentes, mas muito enriquecedoras que já aconteceram com o projeto. A primeira foi quando um dos alunos pediu oficina de cerâmica. A voluntária apareceu e houve a tentativa de incluir outros estudantes no encontro, mas acabou que apenas um aluno queria aprender sobre o assunto. “Isso foi muito interessante porque nos mostrou como é importante ser um interesse individualizado do adolescente e como é impossível fazer programas padrões que agradem os alunos”.

A segunda situação foi quando uma aluna pediu uma oficina contra o machismo.  “O pedido acabou resultando em uma palestra para toda a escola, envolvendo 170 alunos, mais nove professores”, revela Cinthia.

Mesmo a ideia sendo positiva, o recurso que projeto obteve até agora foi conseguido por um financiamento coletivo em que 350 pessoas físicas contribuíram. Em Minas Gerais, há uma escola cadastrada, a Emplo, mas há vários voluntários que já fazem parte da plataforma. Mas, Cinthia revela que o objetivo é ampliar esses números, tanto no Estado, quanto no Brasil. “No ano passado, atuamos em 10 escolas e as oficinas foram efetivamente realizadas em quatro. Este semestre teremos 100 escolas espalhadas pelas cinco regiões do país”, conclui.

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