Tratamento de resíduos é referência mundial

Nathália Guedes
maio15/ 2015

Com uma população transitória sempre crescente – hoje estimada em aproximadamente 14 mil pessoas por dia, entre alunos, professores e funcionários – a Universidade Federal de Lavras (UFLA), localizada na cidade mineira de mesmo nome no sul do Estado, se viu estimulada a mudar a forma de lidar com seus rejeitos. Para isso, implantou processos que otimizam os materiais descartados de seus laboratórios e passou a dar tratamento especial ao esgoto do campus, que possui uma área total de 600 hectares e 220 mil metros quadrados de área edificada.

As ações, iniciadas há sete anos, fazem parte do esforço da instituição para minimizar os impactos ambientais gerados por suas atividades e torná-la referência mundial em sustentabilidade. E os resultados já são notáveis. No ano passado, a UFLA foi considerada a 26° universidade mais sustentável do mundo pelo UI GreenMetric World University Ranking. A instituição também alcançou, recentemente, o primeiro lugar na categoria Planejamento, Orçamento, Gestão e Desempenho Institucional do Concurso Inovação da Gestão Pública Federal, elaborado e conduzido pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).

Materiais são reutilizados

“Os laboratórios fazem o pedido de recolhimento dos rejeitos por meio de ordens de serviço para o Laboratório Central, responsável por gerenciar a coleta e dar um fim adequado ao lixo. Os resíduos recolhidos são segregados de acordo com o tipo de tratamento que se pretende dar a eles. Insumos contendo metais pesados são recuperados por meio de processos químicos e retornam aos laboratórios da UFLA para uso em diversas aplicações. Solventes são renovados por meio de destilação e também retornam aos locais de pesquisa. Compostos orgânicos que não podem ser inseridos nesse método (destilação) são destruídos por meio  dos chamados  Processos Oxidativos Avançados (POA). As soluções ácidas e básicas que não contenham metais pesados, adequados para reutilização, são neutralizadas e descartadas sem qualquer dano ao meio ambiente”, explica a professora do departamento de química da UFLA e coordenadora da fase do projeto, Zuy Magriotis.

Esgoto vira biodiesel

Outro problema enfrentando  pela Universidade foi a maneira de tratar seu esgoto. O simples uso de fossas sépticas foi considerado obsoleto e passou por adequações e alterações que incluíram a implantação de uma grande e moderna estação de tratamento. “Um exemplo específico de como nos propusemos a encontrar solução para o problema foi a alternativa que achamos para o esgoto do restaurante universitário.  Foi instalada uma caixa de gordura aerada, com sistema automatizado de remoção por raspagem da escuma flotada. A gordura retirada é enviada para o grupo de pesquisa de biodiesel que estuda o aproveitamento desse material para produção de biodiesel”, conta Cláudio Montenegro, professor do departamento de Engenharia da UFLA.

O tratamento de esgoto e resíduos laboratoriais faz parte de um macro plano ambiental desenvolvido pela UFLA, conhecido como “Eco Universidade”.

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