Startup Pano Social tece moda sustentável com ex-presidiários

Startup PanoSocial tece moda sustentável com ex-presidiários
Redação
junho19/ 2016

A brasileira Natacha Barros é produtora de moda e o austríaco Gerfried Gaulhofer, designer. Em um mundo obcecado pelo lucro, a dupla acredita que o sucesso de um negócio não se mede apenas pelos resultados financeiros, mas também pelo impacto criado para as pessoas e para o meio ambiente.

Juntos, eles estão à frente de uma startup transformadora, a Pano Social, que tece moda sustentável e reinsere ex-presidiários no mercado de trabalho. Criada em 2014, a empresa com sede em São Paulo produz roupas e acessórios a partir de algodão 100% orgânico ou 100% PET reciclado e, na linha de produção, conta com a ajuda de egressos do sistema prisional.

A PanoSocial confecciona para a própria grife e para outras marcas, além de produzir para clientes institucionais. Recentemente, eles entregaram sete mil camisetas da campanha #DesmatamentoZero do Greenpeace Brasil. Todas feitas com algodão orgânico e serigrafia em pigmentos naturais, assinadas pelo estilista Ronaldo Fraga.

Oficina própria

Os sócios investiram por volta de 60 mil reais ao longo desses dois anos de vida do negócio. Agora, segundo Natacha, eles se preparam para receber um aporte de cerca de 250 mil reais da Bemtevi, empresa que investe em negócios sociais.
Com o investimento, eles planejam abrir uma oficina de confecção própria no centro de São Paulo e empregar até 17 ex-detentos . “O contrato com a Bemtevi prevê que que todo o lucro será revertido para aumentar o impacto social e ambiental de modo positivo e crescente” destaca.

Atualmente, parte da produção ainda é terceirizada. Ao contratar os serviços de uma confecção, a startup busca sempre inserir egressos do sistema penitenciário no processo, o que acaba “contagiando” a produção com a missão social, conforme Natacha.

Os ex-detentos vêm do Projeto Segunda Chance, da organização não governamental (ONG) AfroReggae, que visa inserir egressos do sistema prisional no mercado de trabalho, ou a partir da Funap, órgão que desenvolve programas sociais para presos e ex-detentos.

“Cada vez mais, precisamos desenvolver a percepção de que a mudança que a gente espera no mundo talvez não dependa do outro, mas de nós mesmos. Nosso papel na Pano Social não é vender produto, mas comunicar o impacto ambiental e social através da venda de um produto. Essa é a nossa missão”, define a empreendedora social.

Fonte: Exame

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