Quais as principais tendências em gamification?

Redação
outubro11/ 2016

Por Ronaldo Gazel

Uma das principais tendências é o que se chama de “Playbor” ou “Weisure” (uma brincadeira com Play + Labor / Work + Leisure). Essa tendência nos aponta para uma mudança de paradigma em relação ao modo como ainda vivenciamos o prazer e o trabalho como se fossem lados opostos de uma moeda, herança de modelos gerenciais do final do século XIX, onde as 24 horas do dia eram divididas em: 8 horas para trabalho, 8 horas para descanso e 8 horas para lazer.

Ainda é comum vermos pessoas esperando o relógio dar as 18:00 para poderem “bater o cartão” e, finalmente, viver a vida. É justamente isso que o movimento “Playbor” quer mudar, e a gamification é uma das mais eficientes ferramentas para tal, estimulando os jogadores a vivenciar seu dia com satisfação, em todos os aspectos existenciais, sem fragmentá-la de forma antinatural, transformando os desafios e dificuldades do cotidiano em algo positivo. Mais do que isso, transformando-os em motivadores e referenciais para o progresso pessoal. Imagine o pior jogo do mundo? Certamente é aquele sem nenhum desafio a ser vencido.

Outra tendência é a transformação dos velhos badges, que tanto se popularizaram a partir do Foursquare, mas que quase nunca fazem parte de um sistema consistente de mérito, em novos sistemas customizados e chancelados de certificação, como o OpenBadges da Mozilla Org, e que possuem grande flexibilidade dentro das nossas jornadas cada vez mais dinâmicas. Vejamos, por exemplo, o diploma universitário é a representação simbólica de um universo de competências, porém, considerando, na maioria das vezes, uma jornada de vários anos sintetizada num só certificado.

O uso de badges customizados e chancelados por grupos, seja formados por especialistas e entidades, seja por massa crítica de jogadores do mesmo game (como os usuários do LinkedIn, por exemplo), trazem a capacidade não apenas de oferecer novos rótulos para conjuntos de competências pouco ortodoxas — característica marcante da contemporaneidade — mas também oferecê-las em um ritmo realista, atualizando-as, dando ritmo a um ser humano que muda cada vez mais rápido. Os rótulos antigos não comportam mais as pessoas.

Auto-gamificação: uma vez que os jogos são perfeitos para nos organizar dentro de processos e jornadas, veremos muito a gamification aplicada, cada vez de forma mais sinérgica ao auto-coaching e sistemas de aprendizado multiusuários online (MOOCs). Já são várias as chamadas “APIs de gamificação”, ambientes como o www.habitica.com (antigo Habit RPG, um dos pioneiros), que permitem customizar as atividades da sua própria vida em uma interface gamificada.

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