Perfil empreendedor do belo-horizontino revela opção por negócio franqueado

Larissa Borges
novembro17/ 2017

Investimento com maior segurança tanto nos retornos quanto na gerência do modelo de negócio, o franchising dá mostras de ter encontrado seu lugar em Belo Horizonte. Com quase 2 mil unidades, a capital mineira, hoje, já é a quarta do país com maior número de franquias, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Por outro lado, em inovação, a cidade não parece estar indo tão bem. De acordo com uma pesquisa da Endeavor Brasil, BH fica em 9º lugar no ranking geral em inovação de 2016, e aparece bem abaixo da média em indicadores como investimentos para pesquisa e no tamanho da indústria inovadora (confira infográfico).

A disparidade entre os dois aspectos, portanto, levanta a seguinte questão: o sucesso das franquias, baseada na replicação de modelos de negócio bem-sucedidos, é um reflexo dos baixos incentivos em novas ideias ou até mesmo de uma cultura conservadora entre os investidores belo-horizontinos?

“Em todo o Brasil, há uma redução do capital disponível para pesquisa”, afirma Júlia Mendes Ribeiro, líder da Endeavor em Belo Horizonte. Como o processo científico é mais demorado e nem sempre dá os resultados esperados, o investimento na área é considerado de alto risco. “No caso das franquias, existe um risco minimizado porque o modelo já foi comprovado por outra pessoa”, acrescenta ela, que também considera que há uma cultura de investimento em menor risco na capital mineira.

Boas ideias
Muito do sucesso das franquias, por outro lado, está atrelado à criatividade. “Às vezes, a inovação está na própria franqueadora, seja no modelo de negócio ou no produto, e elas acabam vendo as franquias como uma forma de crescer”, analisa Júlia.

Com os irmãos Marlon e Marcelo Wanderllich, da Buddys, a transformação em franchising foi assim, pouco convencional. Depois de investirem R$ 500 na criação de uma escola de robótica e programação para crianças e adolescentes no próprio apartamento, no bairro Jaraguá, na Pampulha, o negócio deu certo e se expandiu. De dentro de casa, passou para três sedes, no bairro Ouro Preto, Pampulha, e Sion, na Região Centro-Sul.

“Pais e alunos gostaram da ideia e perguntaram se já tínhamos uma ideia de franquia”, explica Marlon, que gostou da sugestão. Hoje, são 16 franquias em Minas e outros Estados, que faturam de R$ 40 mil a R$ 50 mil por mês.

Para Marlon, a inovação em BH está na tecnologia, mesmo que outros setores não sigam o exemplo. “Há um ecossistema bem criativo nas startups, na San Pedro Valley, temos o escritório da Google”, afirma ele, cuja intenção é que os alunos da Buddys contribuam para esse ambiente.

As franquias constituem um negócio que, na maior parte das vezes, já é conhecida do consumidor e possuem um modelo de negócio já testado. Por isso, especialistas dizem não ser um investimento de alto risco.

O CEO do Banco de Franquias, Marcos Campomizzi, diz que, no entanto, existem desafios para os franqueados o que não torna o negócio de baixo risco. “Franquia não é o investimento mais seguro do mundo, demanda muito trabalho”, observa. O empreendimento de Campomizzi, fundando em BH, tem a exclusividade de marcas como Adidas e KFC e capta investimentos, dando segurança operacional para quem quer entrar no ramo. No banco, o investidor se preocupa só com a parte financeira.

“Não é de baixo risco, mas é possível diversificar, por exemplo, não colocar dinheiro em uma unidade, mas, sim, em várias”, diz ele, que ainda crê que franquias são mais rentáveis que investimentos em fundos tradicionais. O retorno financeiro, acrescenta, começa a partir dos 24 meses.
“Vejo Belo Horizonte como uma cidade rica, que cresce e, mesmo com fama de ser fechada, acho que está se abrindo para o mercado”, conclui Campomizzi.

Bom retorno
Especialistas, como Júlia Mendes, sugerem que os franqueados façam opções por modelos com os quais já tenham trabalhado antes. O toque, todavia, não é uma regra para o sucesso.

As irmãs Graziela e Lilian Silveira, franqueadas da marca Casa de Bolo, fizeram a opção pela marca mesmo sendo, de profissão, enfermeira e nutricionista, respectivamente.

“Aprendemos a gerir na marra, mal sabíamos preencher nota fiscal”, recorda Graziela. Com o tempo, porém, o aprendizado veio, e, com ele, o retorno.
“Quem faz formação da equipe somos nós. Mas acaba que a franquia é simples em todos os processos”, conta ela, que adquiriu a primeira unidade em 2015, no Barreiro, cresceu na crise de 2016 e, em setembro, abriu a segunda, no Belvedere.

 Fonte: Hoje em Dia
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