Netshow.me, a plataforma de transmissões ao vivo

Netshow.me, a plataforma de transmissões ao vivo
Larissa Borges
março14/ 2016

A Netshow.me começou a ser desenhada por Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte em 2013. A inspiração veio de uma notícia do jornal sobre Sean Parker, fundador do Napster e um dos primeiros investidores do Facebook. Ele havia investido em uma empresa nos Estados Unidos que fazia músicos ganharem dinheiro por meio de transmissões ao vivo pela internet. A partir de então, os amigos perceberam que essa seria uma boa oportunidade no mercado brasileiro.

A primeira vez que testaram sua ideia foi com o “Live Funding”, ou seja, um crowdfunding em que a arrecadação acontece por meio de uma experiência ao vivo – não por um período mais longo de tempo. Já no fim de 2015, os sócios aproveitaram todo o aprendizado de engajamento, gameficação e geração de leads para lançar um produto de soluções em transmissões ao vivo voltado para marcas, na qual as empresas podem realizar transmissões de ativação de suas marcas e endomarketing em ambiente proprietário e personalizado. Assim, surgiu efetivamente a Netshow.me. Para entender essa história e saber sobre o crescimento da empresa, entrevistamos  Daniel Arcoverde. Ele fala sobre as expectativas com o negócio, o seu diferencial e como inovar no mercado de entretenimento. Confira:


1 – Quais as expectativas com a empresa?

Com o lançamento do produto para marcas, queremos nos consolidar como a plataforma número um em soluções de transmissão ao vivo, atendendo diversos perfis e segmentos de clientes. Em 2016, esperamos faturar R$ 1,1 milhão.

2 – Qual o diferencial da sua empresa no mercado?

O Netshow.me empodera marcas a terem um ambiente proprietário e personalizado com toda sua identidade visual, garantido que as mensagens sejam mais pessoais e gerem maior empatia na audiência. Além disso, possibilitamos que toda a audiência gerada e capturada seja ativada sem a necessidade de investimento em mídia (como acontece com os principais players do mercado), uma vez que a base construída é um ativo da marca.

3 – Que tipo de tecnologia é utilizado para colocar a sua ideia em prática?

Contamos uma solução desenvolvida em Ruby on Rails, sustentada por uma estrutura robusta de AWS (Amazon Web Services). Contamos ainda com um encoder proprietário que possibilita aos usuários realizarem transmissões ao vivo direto do navegador do notebook. É importante ressaltar também que possuímos alguns encoders homologados como Flash Lime Media Encoder e Wirecast para clientes que buscam transmissões avanças com switcher e múltiplas câmeras, o que nos possibilita oferecer uma solução para transmissões semelhantes as profissionais. Nossa solução de chat e CDN de distribuição de streaming de vídeo são poderosíssimas com elevado nível de serviço.

4 – Quantas transmissões já foram feitas pela empresa? Quantos clientes a empresa já possui?

Já aconteceram mais de 3 mil transmissões pelo Netshow.me. Já fizemos transmissão beneficente da Wanessa Camargo, lançamento do álbum Bonde da Madrugada, do pessoal da Cone Crew Diretoria, que levou mais de 20 mil pessoas, o Teleton 2015, o lançamento do Cubo (espaço de empreendedorismo do Banco Itaú e Red Point eVentures), as transmissões da Campus Party em 2015, os shows do Napster em Casa, entre outros.

5 – A Netshow.me está concorrendo ao Prêmio Profissionais da Música 2016 / Music Pro Awards 2016. Como é participar de uma premiação como essa?

É uma grande honra saber que impactamos positivamente a indústria da música e ser reconhecido por isso. O Netshow.me nasceu focado na indústria musical e, mesmo agora com um produto voltado às marcas, os músicos continuam como obra-prima das transmissões, uma vez que são eles os que detém o poder de criar laços emocionais com que está do outro lado da telinha.

 6 – Como funciona os serviços oferecidos pelo Netshow.me?

Transmissão ao vivo é quente! Segundo a Business Insider, esse tipo de conteúdo possibilita 10x mais engajamento do que um conteúdo gravado por proporcionar aos espectadores experiências e um contato direto com os conteúdos gerados. Por isso, diretores de marketing e comunicação têm demandado cada vez mais este tipo de serviço. No Netshow.me é possível realizar transmissões gratuitas para conhecer a ferramenta. As empresas interessadas fecham contratos pontuais ou recorrentes para terem canais personalizados com toda a identidade da marca, além de terem ferramentas como chat integrado ao twitter, contador de tweets (estilo Masterchef), captura de leads, etc.

7 – Vocês receberam algum investidor? Quais e quando? Como colaboraram para o desenvolvimento do negócio?

Desde o início do Netshow.me sempre prezamos por um time de pessoas complementares e de alta qualidade. Da mesma forma, buscamos montar um time de investidores alto nível que pudessem nos ajudar com networking e experiência. O Netshow.me captou aproximadamente R$ 1 milhão de investidores como Rodrigo Borges (fundador do Buscapé), Wlado Teixeira (fundador da Vivere) e diversos outros, além da Wayra Brasil, que é o braço de investimento do Grupo Telefônica-Vivo. Atualmente nosso escritório fica na sede da Wayra em São Paulo, o que nos permite um contato com outras startups para troca de experiências, além, claro, de todo o respaldo da aceleradora de um Grupo reconhecido no mundo todo.

8 – Como é inovar no mercado de entretenimento? Quais os desafios enfrentados? E como superaram esses desafios?

O mercado de entretenimento, apesar de sua amplitude, é bastante desafiador, principalmente em se tratando de modelos de negócio destinados ao consumidor final (B2C). Primeiramente, existem vários grandes players com elevado efeito de rede que, naturalmente, já impõem barreiras de entrada para o negócio. Além disso, muitos empreendedores querem resolver problemas que não são de fato dores relevantes, ou seja, não são problemas grandes e recorrentes o suficiente para que aquela ideia cresça e tenha um modelo de negócio sustentável. No Netshow.me, por exemplo, o grande aprendizado foi logo no início da ideia, quando percebemos que as pessoas não estavam dispostas a pagar por um conteúdo específico sem nem ter acesso prévio a ele. Apenas algo em torno de 10% da audiência em potencial pagava pelos ingressos dos shows online exclusivos. Descobrimos que as pessoas estavam aptas a pagar por “conveniência”, como por exemplo, pagar uma assinatura no Netflix ou Spotify, ou ajudar a pessoa que está por trás do conteúdo, como em modelos de crowdfunding. Não é à toa que lançamos o conceito de “Live Funding”, pois possibilitamos transmissões abertas e gratuitas na qual os espectadores podem apoiar por livre e espontânea vontade, com intuito de ajudar aquele músico ou criador de conteúdo.

Apoiadores