Mineira cria o primeiro reality show de política do país

Giuliano Le Senechal
julho07/ 2015

Foi pensando em como desenvolver uma nova e eficiente relação entre a sociedade e o poder público que a professora, jornalista e socióloga mineira Isabelle de Melo Anchieta criou o Ipop Brasil, o primeiro reality show de política idealizado no país. Inicialmente, o programa será transmitido pela internet, mas, sem apresentar nomes, Isabelle revela que já há o interesse de emissoras de televisão em abrir espaço para exibição do projeto.

Idealizado por ela há dois anos, a proposta foi oficialmente lançada na segunda quinzena de maio desse ano e, de lá para cá, já ganhou a adesão de quase 12 mil pessoas, que curtiram a página do Ipop no Facebook. “Estamos muito impressionados com o interesse das pessoas em participar efetivamente do programa. A velocidade do engajamento da sociedade foi muito alta e, por isso, acreditamos que rapidamente conseguiremos atingir os índices ideais para darmos início aos trabalhos”, diz a socióloga, acrescentando que o número de seguidores na rede social não representa exatamente o volume de gente que tem a intenção de participar. “Sabemos que o número de pessoas que já sabem da proposta e desejam participar é bem maior”.

O Ipop Brasil está em sua primeira fase, denominada de Priorização. Nesta etapa, de um total de quatro, o público vai até o sítio virtual do projeto (www.ipopbrasil.org) e vota em algum dos 17 temas sugeridos. Até o momento, Democracia e Reforma Política está vencendo, com cerca de 31% dos votos. Em seguida, vem o tema Educação, com quase 19%. Em terceiro lugar está o tema Educação, com aproximadamente 11% dos votos. Além desses três, há outros 14 temas que podem ser escolhidos. A votação para a definição do assunto principal ainda vai ocorrer por mais de dois meses.

 Concluída a primeira etapa (de votação e escolha do tema), os participantes, que devem ser maiores de 16 anos, vão gravar mensagens eletrônicas com suas propostas. Todos serão colocados na internet.  Começa nesse ponto a fase de Seleção, quando os 20 vídeos mais visualizados serão escolhidos. A partir dessa etapa, os jurados montarão cinco equipes, mesclando pessoas de formação ideológica, idade e moradores de estados diferentes.

“Montadas as equipes, começa a fase da Competição. Durante três meses, vamos orientar e acompanhar as equipes em viagens pelo Brasil. A intenção é que elas vivenciem, na prática, realidades distintas, conversem com pessoas e tenham mais clareza para concepção de um projeto de lei”, explica Isabelle. Cada um dos participantes passará a receber R$3 mil por mês trabalhar no projeto. A cada duas semanas, uma equipe é desligada da competição.

Ao final, restarão apenas duas equipes. Elas terão a missão de coletar o maior número de assinaturas possível, em cinco estados diferentes, para transformar a ideia definida em um projeto de lei de iniciativa popular. Para que a proposta seja levada a votação no Congresso Nacional são necessárias 500 mil assinaturas. Cada participante da equipe vencedora ganhará como premiação duas viagens internacionais, sendo uma delas para um país que é referência em qualidade e eficiência de políticas públicas. Dependendo da arrecadação monetária para viabilização e execução do projeto, haverá também o recebimento de uma quantia em dinheiro.

“Desde a Constituição de 1988, temos apenas cinco projetos de lei de iniciativa popular promulgadas no Brasil. Nossa intenção com o projeto é que esse número vá aumentando gradativamente e a proposta do reality é exatamente essa. Concluído o primeiro programa, abre-se nova etapa de votação e o ciclo de trabalhos se inicia novamente. Os temas apresentados, que hoje são dezessete, podem aumentar e, dessa maneira, vamos engajando mais a sociedade em favor de um movimento democrático e suprapartidário”, afirma Isabelle.

Segundo ela, a ideia começou depois de observar que as grandes manifestações de rua ocorridas há dois anos, não resultaram em reais mudanças políticas. “Quando esses movimentos de reivindicação não são canalizados de maneira correta eles se perdem no tempo, sem que as ideias propostas sejam executadas e os resultados desejados alcançados. Acaba que as pessoas que lutaram durante um período por um ideal de mudança se cansam, pois há uma grande desconexão entre os movimentos populares e o poder público. A proposta do Ipop Brasil é exatamente criar essa interlocução, ou seja, um processo mais eficaz de aproximação entre a sociedade e os nossos legisladores. A maneira como concebemos a ideia, engajando jovens por meio de alternativas didáticas e contemporâneas, de movimento ativo em redes sociais, por exemplo, é o grande diferencial. É uma forma de tratar a política de maneira clara e objetiva”, avalia a socióloga.

Além de Isabelle, que é mestre em Comunicação Social pela UFMG  e doutora em Sociologia pela USP, participam diretamente da execução do projeto o juiz Márlon Reis, o presidente da Associação Brasileira de Ciência Política Leonardo Avritzer, o promotor de justiça Edson de Castro, a socióloga Izabela Correa e o jornalista Elias Pereira dos Santos.

Para viabilizar a execução do reality é necessário arrecadar, segundo Isabelle, cerca de R$520 mil. As doações podem ser feitas pelo site www.kickante.com.br/ipop

Para entender mais sobre o Ipop Brasil e saber como participar, assista ao vídeo abaixo:

 

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