Malalai, mais segurança para as mulheres nas ruas

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Larissa Borges
julho06/ 2016

Andar nas ruas, principalmente a noite, não é uma situação confortável para as mulheres. Infelizmente, ainda vemos diariamente, casos de violência contra as mulheres . Para que essa realidade mude, ainda falta muito. Mas, as vantagens de se viver no mundo atual, são os recursos tecnológicos que nos permitem pensar em soluções simples e que podem efetivamente transformar a sociedade.

A Malalai é uma startup que tem esse objetivo. Criada por Priscila Gama, a ideia surgiu a partir de um relato nas mídias sociais com a hashtag #MeuPrimeiroAssedio. “Dormi pensando em como ela nunca mais seria a mesma e como outras mulheres provavelmente nunca se recuperam de uma violência destas, e acordei pensando em como casos como esse, de mulheres atacadas enquanto se deslocam sozinhas, poderiam ser evitados. Foi assim que surgiu a Malalai, que desenvolve tecnologia para segurança pessoal”, diz Priscila.

O aplicativo permite que a mulher consulte mapas para saber qual o caminho mais seguro e colabore indicando os pontos onde se sentiu mais vulnerável; que alguém de sua confiança acompanhe o seu trajeto em tempo real e, caso se sinta ameaçada, acionar um dispositivo de emergência. Dessa forma, a pessoa que ela escolheu receberá uma mensagem de alerta e a sua localização.

Priscila conta que para chegar a esse formato, foram feitas mais de 2 mil pesquisas com mulheres, que mostraram que o Malalai deveria ir além da segurança. “Descobrimos que a maioria prefere passar por locais movimentados, tem receio de usar o celular na rua por acreditar que isso pode atrair violência e tem o hábito de avisar alguém sobre seu deslocamento, porque assim sentem-se mais seguras. Por isso, usamos um aplicativo e um hardware para atuar em três frentes: prevenção, conforto cognitivo e emergência”, explica.

A iniciativa fez sucesso no mercado. Ficou em segundo lugar no Startup Weekend, participando do programa de pré-aceleração. Atualmente, a startup participa do programa de aceleração Inovativa, da comunidade de empreendedores e startups, Limoeiro e do programa de pré-aceleração de negócios de alto impacto social, Baanko Challenge. “Neste último, o objetivo é aprender a medir o impacto social da solução. Pelo mapeamento, por exemplo, saberemos se o número de assédios em determinado local foi reduzido, poderemos informar às agências de energia sobre locais que oferecem risco simplesmente por serem mal iluminados, dentre outros”, revela Priscila.

Agora, o foco é lançar os produtos. O site está sendo reformulado e será disponibilizado na web o mapeamento colaborativo, permitindo que qualquer pessoa acesse o site para consultar a rota mais segura ou fazer marcações para qualificar essas rotas. O aplicativo está previsto para ser lançado em agosto e o relicário em novembro.

“O nosso propósito é que a Malalai se torne um instrumento de empoderamento feminino. O medo de andar sozinha na rua cerceia a liberdade e, não tem como falar de empoderamento se nem a liberdade, princípio básico, existe. Trazer o assunto à tona gera conscientização. Neste ponto, a simples existência da Malalai assume relevância. Algumas pessoas acham triste ter que precisar de uma tecnologia para que as mulheres estejam mais seguras. Sempre respondemos que triste é não fazer nada a respeito”, conclui, Priscila.

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