Estamos praticando a verdadeira inclusão digital?

Estamos praticando a verdadeira inclusão digital?
Redação
março23/ 2016

Não é de hoje que ouvimos falar sobre a famosa “inclusão digital”, que nada mais é do que o processo de facilitar o acesso da sociedade às Tecnologias da Informação.

Mas será que estamos conseguindo realmente praticá-la?  

À primeira vista, para que ela aconteça de forma correta, temos três desafios:  o primeiro é permitir o acesso a um dispositivo para conexão, seguido de estar conectado a alguma rede e finalmente, ter o domínio de ferramentas. Geralmente é nesse terceiro “obstáculo” que a maioria das pessoas começa a ter dúvidas.

Os incentivos e campanhas para hoje existentes focam apenas na aquisição do aparelho – seja ele um PC, tablet ou smartphone. As escolas públicas possuem computadores? Uma boa parcela sim, é fato. Mas não houve treinamento adequado aos professores e funcionários para utilizar estes equipamentos durante o ensino. É como dar nas mãos um avião para alguém que mal sabe andar de bicicleta.

Tanto que em 2014, fui procurado pelo Sindicato dos Professores de Ibirité (SindUTE), onde dei início a um projeto social dentro da Faculdade Helena Antipoff, para dar cursos a adolescentes das escolas públicas de Ibirité-MG. O projeto contou com 30 alunos, durante 2 meses de curso, no qual foi ensinado de noções básicas em Word, Excel e Power Point até a formatação de computadores e configurações básicas de rede.

Foi um sucesso e para mim ficou claro uma coisa: os adolescentes estão aptos a absorver qualquer tipo de informação. Neste ano, voltamos a Ibirité-MG para iniciar um projeto muito maior, focando dessa vez na qualificação de professores para darem mais opções de cursos a seus alunos.

Existem diversas iniciativas neste sentido que mostram tentam apresentar este “admirável mundo novo”, mas muitas vezes tendem a serem feitas apenas voltadas ao mercado de trabalho. O verdadeiro sentido do uso destas tecnologias é deixado de lado, que seria a construção de conhecimento e troca de experiências.

Pois bem, muito se fala sobre inclusão digital para adolescentes e adultos, mas quanto aos idosos, hein?

Estudos mostram que mais de 80% da 3ª idade não sabe mexer com tecnologia. O grande problema é que hoje não a dominar é o mesmo que não participar de movimentos sociais, tendências, ter mais acesso a notícias e outras informações sobre o mundo.

Muitos dizem que a idade avançada dificulta o aprendizado. Mentira. A tecnologia não é mais tão complexa como já foi um dia. Por exemplo, ter um celular com WhatsApp e Skype significa aproximar um avô de seu neto que moram em cidades diferentes. Além, é claro, de ocupar o dia a dia dessas pessoas com entretimento e informação mais rápida e barata.

Nós na Gurunerd, iniciamos um projeto muito bacana em parceria com diversos asilos em Minas Gerais, no qual ensinamos como esses jovens senhores e senhoras podem navegar no alto mar da Internet.

Quando falamos de Inclusão Digital, temos que pensar para além do ter o equipamento. A nova geração já respira tecnologia, mas nem todos sabem o que realmente ela pode proporcionar de melhorias em suas vidas.

Artigo assinado por Lucas Kalado, desenvolvedor, formado na UNIBH em Produção Multimídia, atua na área de comunicação e desenvolvimento desde 2004. Em sua carreira profissional ajudou na concepção da ideia e processo inicial da startup Cucco e também fundou as agências digitais Intensiva e Lápix. Como funcionário, participou da empresa Empreendemia e nas Agências Digitais Nitrato, Surf e Mediappeal. Em 2014, junto com o Thiago Amaral, fundou o Laboratório Tecnológico Yü, que gerou o insight seguinte para a criação da Guru Nerd.

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