Empresa brasileira aposta na área de tecnologia hospitalar

Empresa brasileira aposta na área de tecnologia hospitalar
Redação
abril10/ 2016

Um dos setores mais complexos do mercado é o de tecnologia hospitalar. Cada produto desenvolvido segue uma série de recomendações técnicas, o que dificulta o processo de inovação. Uma empresa brasileira que vêm se destacando no setor é a Hi Technologies, que produz um oxímetro — aparelho que mede a quantidade de oxigênio no sangue — capaz de funcionar como um tablet.

A história da Hi Technologies começou em 2004, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. Nessa época, cinco jovens amigos estudantes de engenharia da computação — entre eles Marcus Figueiredo e Sérgio Rogal Júnior — tiveram a ideia de abrir uma empresa para fabricar equipamentos médicos.

“Nós estávamos na metade da faculdade e tivemos que fazer um trabalho em grupo. A ideia de criar algo na área da medicina foi minha, por conta de um estágio que tinha feito em um projeto de telemedicina. A partir daí, combinamos nossos conhecimentos da Universidade com a vontade de empreender”, diz Figueiredo.

No fim daquele ano, a Hi Technologies tinha nascido. O plano de negócios dos amigos no início era criar um equipamento inteligente e conectado à internet, que fosse usado para monitorar pacientes em hospitais. “Mas nós éramos todos estudantes e não tínhamos ideia do investimento necessário para fabricar um produto. Então, um professor nos deu a dica de começarmos produzindo softwares”, conta.

O momento de virada foi em 2007. Depois de realizar testes em dez hospitais diferentes de Curitiba, finalmente uma instituição decidiu comprar o programa. “Nesses dois anos, alguns sócios foram desistindo do negócio e seguiram outros caminhos. Só restava eu e o Sérgio, que aceitamos fazer alguns bicos para manter a empresa. Quando fizemos a primeira venda, já não éramos mais estudantes e a empresa estava solidificada. Foi um sucesso”, conta o empreendedor.

O software vendido pela dupla podia ser instalado em equipamentos médicos de qualquer marca e ajudava a monitorar sinais vitais de pacientes à distância, pela internet. “O nosso sistema atendeu a todas as necessidades do hospital e começamos a vendê-lo para novos compradores. Ganhamos uma sequência de prêmios em inovação e empreendedorismo e ia tudo muito bem até que, no fim de 2008, decidimos parar as vendas”, conta Figueiredo.

Essa decisão se deu pelo sonho antigo dos sócios de montar uma fábrica de equipamentos médicos. Para o sonho sair do papel, a empresa conseguiu R$ 1 milhão, em recursos fornecidos pelo Sebrae e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em maio de 2010, a linha de produção ficou pronta e a empresa já contava com uma equipe de 25 pessoas.

Hoje, a Hi Technologies possui capacidade para produzir até 200 unidades por mês. O equipamento vendido pela empresa está presente em 110 hospitais em 22 estados do Brasil, além de consultórios particulares e instituições de 15 países, como Estados Unidos, Israel e Canadá.

O Milli — como é chamado o aparelho da empresa — funciona como um tablet capaz de fazer exames médicos e monitorar os sinais vitais do paciente. A vantagem do equipamento, é que ele permite que o usuário navegue pela internet, envie mensagens, veja vídeos, tudo enquanto é analisado. “Nosso aparelho também tem uma vida longa muito útil, tanto que as unidades que vendemos em 2011 funcionam até hoje”, diz Figueiredo, após comentar que a vida útil de um aparelho comum do setor é de, em média, oito meses. O aparelho completo é vendido hoje por R$ 4,4 mil, e há versões para testes específicos — como em crianças, por exemplo — que custam até R$ 6,9 mil.

Em janeiro de 2016, metade da Hi Technologies foi vendida à Positivo Informática. Por questões contratuais, os valores de compra e o faturamento do último ano não puderam ser divulgados. Sobre as expectativas para 2016, Figueiredo conta que, “agora, com a Positivo, nós planejamos ampliar nossa fábrica, que será capaz de produzir até mil Millis por mês. Antes, não nos arriscávamos em vendas muito grandes, por conta da nossa limitação. Em breve, devemos ter uma estrutura que irá nos permitir virar uma referência no mercado da tecnologia hospitalar”, afirma.
Fonte: Revista PEGN

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