E quando a gente tem que pedir desculpas por ser empreendedor?

Redação
dezembro01/ 2015

Por Cínthia Demaria

Costumo brincar que o momento do salto para o empreendedorismo é igual ao início de uma dieta. Basta você decidir começar e toda hora vem alguém para te oferecer um chocolate, te chamar para uma festa ou pra te provar que antes era muito mais saboroso e cômodo. De certa forma, essas pessoas tem razão (principalmente na parte de trocar um brigadeiro por brócolis. : entretanto, como toda a mudança nessa vida, a coragem de ficar de pé e permanecer na decisão é muito maior do que o momento da escolha.

Acho romântico falar de sonhos e correr atrás do seu próprio investimento. Tem gente que diz que empreender é ser chique e se esbaldar num mundo de regalias. Se você concorda com isso, pode dar meia volta e voltar para onde você veio. Ao contrário do que muita gente pensa, o trabalho é duro, árduo, complexo, sem garantia de retorno, sem horário para terminar, com a possibilidade muito maior de errar. Sabe aquele e-mail que chegou sexta-feira às 17h e você vai deixar pra responder segunda-feira quando chegar na empresa? Pois é, não existe isso mais. Não há mais em quem colocar a culpa ou atribuir o excesso de tarefas ao seu chefe. Ou é você ou é você que vai resolver, e muitas vezes o cliente não quer esperar.

Apesar de tudo, muitos de nós pega pelo chifre, encara o touro com capa vermelha e tudo, sem medo algum. E isso é bom! A energia é gratificada dia a dia. O chique do empreendedorismo é esse, você poder sentir na pele a diferença que aquele produto ou serviço fez na vida do seu cliente. A recompensa financeira vem depois (bem depois mesmo, porque nunca vi tanta conta pra pagar!). E pode ser esse um dos motivos pelos quais as pessoas escolham empreender. Elas sabem que o financeiro demora, mas elas procuram algo que nas suas antigas empresas não encontravam: o reconhecimento de seus talentos e habilidades.

Diante desta situação ambivalente, temos outra questão que passa a fazer parte de nossos ciclos de amizade, e principalmente entre as pessoas do mercado que compartilham a mesma aptidão técnica do que a nossa: PEDIR DESCULPA POR SER EMPRESÁRIA. Aqui em Belo Horizonte, pelo menos, é muito assim! Não me sinto mais confortável em encontrar os amigos e responder a pergunta “Então, o que você tem feito da vida?”. Amiga, é só falar: “Estou cuidando da minha empresa” para pipocar dois ou três inimigos naquela esfera. É uma coisa impressionante a escala de ódio do ser humano. É como se você tivesse traído ou matado alguém.

Isso é tão notável que pessoas com quem eu nunca tomei uma cerveja na vida ficam procurando minúcias e qualquer deslize nosso para se defender com comentários ofensivos que diminuam toda a capacidade, te colocam no cantinho da sala escura e gritam: “Você não tem o direito de falar nada porque é empresária”. Socialmente parece ser um erro correr atrás das suas coisas com todo o suor e esforço pessoal e profissional.

O que fazer? Desistir? Jamais! Chega uma hora da vida que você pensa: “Ok, gata, fica aí na sua vidinha de reclamar do seu trabalho pelo salário fixo que eu vou aqui correndo atrás dos meus SONHOS!”.

Esteja pronto para entender que uma hora, somente a opinião dos clientes é que de fato vão importar para você. Isso é o que nos faz ir pra frente e ver como já temos uma visão diferenciada da vida. O mercado é importante enquanto você está nele e quando tem pessoas dispostas a te ajudar. Comentários inúteis, passa pra frente, ignora, deleta da vida, porque só vão te ajudar a entender o quanto cresceu e o quanto tem gente que ainda opta pela mediocridade.

Prepara, trabalha e arrasa na vida porque você merece!

 

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