Doença que ataca gado pode ter nova vacina

Redação
junho23/ 2015

O Brasil é, hoje, um dos maiores exportadores de carne bovina, vendendo carne para mais de 180 países. Estima-se que a brucelose, doença crônica causada por bactérias do gênero Brucella, cause prejuízo anual de R$ 892 milhões ao setor pecuário brasileiro, atingindo cerca de 5% do rebanho bovino. A doença, que representa séria ameaça à saúde pública, motivou pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a pesquisar alternativas para combatê-la.

Segundo o coordenador da pesquisa e professor, Sérgio Costa Oliveira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia, os resultados do estudo podem dar origem a uma vacina mais eficaz contra a doença. “Ao longo dos últimos quatro anos, desenvolvemos uma linhagem mutante da bactéria Brucella. Essa linhagem é menos virulenta, ou seja, tem menor potencial de causar doença e, em ensaios pré-clínicos, protegeu 100% dos animais de laboratório”, explica Oliveira.

O professor acredita que o principal motivo de desenvolver nova alternativa de vacina, reside nas limitações das linhagens vacinais utilizadas atualmente para imunizar os rebanhos brasileiros. “As vacinas que existem hoje no mercado ainda são virulentas e podem provocar a doença no animal e até abortos em gestantes”, avalia. Outra falha da vacina comercial, segundo ele, e que pode ser corrigida com a descoberta, é a incapacidade de distinguir animais doentes dos que foram vacinados. “Isso é um problema sério para o controle da doença. Na bactéria mutante gerada em laboratório, incluímos um marcador de luminosidade, para diferenciar os animais vacinados dos infectados”, explica.

O sucesso da pesquisa e dos testes realizados ao longo do trabalho de pesquisa, segundo o professor, abre perspectivas para idealizar o desenvolvimento de uma vacina que possa ser utilizada em animais e no homem.

Os próximos passos são o registro da patente e a busca por parceiros da iniciativa privada para ampliar os testes de imunização para animais de grande porte. De acordo o professor, é importante que a UFMG compartilhe as tecnologias desenvolvidas dentro do campus com a sociedade, já que muitas vezes, as agências reguladoras nacionais não estão abertas para aprovar a utilização de novas tecnologias desenvolvidas no País. “Estamos investindo dinheiro público no desenvolvimento de tecnologias que poderão ficar paradas, uma vez que as agências reguladoras não facilitam, em alguns momentos, a aplicação dessas novas tecnologias”, avalia.

Fonte: UFMG

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