Banda Zé da Guiomar investe em financiamento coletivo para lançar seu novo álbum

Banda Zé da Guiomar investe em financiamento coletivo para lançar seu novo álbum
Larissa Borges
maio03/ 2016

O Zé da Guiomar, banda mineira de Belo Horizonte, que se dedica ao samba, com algumas inserções na bossa e no choro, está comemorando seus quinze anos de carreira e iniciando os trabalhos para gravação de seu quarto álbum. O novo CD terá 12 faixas, todas assinadas por compositores mineiros, sendo algumas autorais, tendo como parceiros, grandes nomes da cena musical brasileira.

Mas, a novidade não para por aí. A banda resolveu unir a tradição com inovação e investir em financiamento coletivo para lançar o novo álbum. Com campanha no site Kickante até o dia 13 de maio, eles esperam arrecadar R$ 32 mil para colocar o projeto em prática. Em entrevista ao Minas Inova, Totove Ladeira, que é o responsável pela percussão da banda, conta como surgiu a ideia do financiamento coletivo e como a inovação é importante para a música.

Minas Inova (MI) – A banda começou em 2000 em BH. Após todo esse tempo, é a primeira vez que utilizam o financiamento coletivo para lançar um CD. Por que optaram por esse modelo de negócio?

Totove Ladeira (TL) – Optamos pelo financiamento coletivo por ser uma nova modalidade de arrecadação que tem crescido muito nos últimos anos, principalmente na classe artística. É uma oportunidade de fazer uma parceria efetiva com fãs e amigos, onde as contrapartidas estabelecem uma relação comercial, sem que se peça um “favor” ou uma “ajuda”.

MI – Como fazer para colaborar com o projeto da Zé da Guiomar? Quais os benefícios de quem contribuir com o projeto?

TL – Para participar basta clicar no link da campanha da banda no Kickante. Feito isso, é só optar pelo valor da colaboração, de acordo com o benefício que achar interessante. Na verdade, não é uma colaboração, mas uma espécie de compra antecipada com desconto. Por exemplo: se a pessoa comprar um CD e dois ingressos para a festa de lançamento, recebendo em casa, através da campanha, ela paga R$ 70,00. Além da comodidade e de prestigiar o grupo que admira, sai mais barato que se fosse comprar as mesmas coisas separadamente no período do lançamento e da festa.

MI – O que o 4º CD da banda traz de novo? Por que vale a pena ajuda-lo a sair do papel?

TL – Diferentemente dos outros, este um álbum integralmente dedicado ao samba produzido em Minas Gerais. Além do trabalho autoral, todas as outras músicas também são de compositores mineiros. São 11 sambas inéditos e apenas uma regravação. Buscamos um repertório que identificasse com o grupo durante esses anos de estrada, e conseguimos, sem pretensão, agrupar compositores que militam no samba há décadas e alguns jovens que estão sendo interpretados pela primeira vez. Outro diferencial é que o disco traz direção musical e arranjos do grande cavaquinhista carioca Jayme Vignoli. Está ficando bonito!!

MI – Pelo tempo de estrada, a banda acompanhou as mudanças que o segmento musical passou, tanto na forma de produção, quanto na de distribuição com o advento da tecnologia e da internet. Como isso afetou o trabalho de vocês? Como fizeram para acompanhar tais mudanças?

TL – Na prática afetou pouco. Não adianta remar contra a maré. Dentro de nossas limitações, tentamos acompanhar as mudanças que a tecnologia nos impõe.  Hoje nossos três álbuns estão em todas as plataformas de streaming, temos SoundCloud, Facebook, Twitter, etc. Na verdade, as mudanças ainda estão ocorrendo e cada dia tem uma novidade. Se a gente se adaptou, se acompanhamos corretamente, só o tempo dirá. O foco principal é a música. Tratá-la com seriedade. O restante a gente tenta adaptar.

MI – Até que ponto a internet e a tecnologia podem ser uma aliada para uma banda? E quando começa a atrapalhar?

TL – Utilizando como aliadas e com sabedoria, sempre serão bem-vindas. Nestes anos foram criados diversos mercados paralelos, cenas independentes, descobriu-se que existe “vida” fora dos grandes meios de comunicação. Em contrapartida, a internet é cheia de polêmicas desnecessárias, intolerância, exibicionismo. É difícil, mas tem que achar o ponto certo. Utilizar como mais uma ferramenta. Palco é sempre mais importante.

MI – Uma banda de samba, com inserções na bossa nova, gêneros tradicionais da música brasileira. O que vocês trouxeram de inovador no trabalho de vocês que contribuiu para o fortalecimento desses tipos de músicas na capital?

TL – Nosso objetivo sempre foi ter a maior fidelidade possível com as características desses gêneros. O que ocorreu, de forma involuntária, foi que as influências e as referências dos integrantes contribuíram para gerar uma sonoridade própria. Fizemos da nossa maneira, sem intenção de inovar.

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