Alunos de fisioterapia criam primeira prótese 3D de Minas

Redação
julho18/ 2017

 

“Só de poder voltar a segurar um copo d’ água sem ajuda já é uma vitória”, disse o empresário Bruno Lohan, 20, que recebeu a doação de uma prótese 3D para membros superiores criada por alunos do curso de fisioterapia da PUC Minas há um mês. No ano passado, Lohan perdeu a mão e o antebraço esquerdo depois de ter levado um choque ao tentar pegar uma pipa que estava presa à rede elétrica, no bairro Petrolândia, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O jovem contou que soube, por meio de amigos, que alunos do curso de fisioterapia da PUC estavam selecionando voluntários para receberem a prótese 3D. “Eu me candidatei e passei por entrevistas. Nem acreditei quando fui selecionado”, disse.

A estudante Isabela Lisboa, 23, que faz parte do grupo que desenvolveu a prótese, contou que tudo começou quando ela e os outros componentes receberam o tema do trabalho de conclusão de curso do professor. “Ele sugeriu que trabalhássemos com impressão 3D, com a ideia de uma prótese para membro superior a fim de melhorar a qualidade de vida dos amputados. Depois de muitos testes realizados, conhecemos o Bruno, que foi beneficiado. A execução de todo o projeto demorou cerca de cinco meses”, detalhou.

Segundo Gabriel Mendes, 23, outro aluno que participou da concepção da prótese 3D, o equipamento criado por eles é mais leve, pesando 600 g, enquanto o tradicional chega a 1,6 kg, além de ser mais barato. “O valor de uma prótese convencional para um adulto está entre R$ 120 mil e 130 mil, enquanto nossa prótese custa cerca de R$ 10 mil”, revelou Mendes. Outra vantagem da prótese 3D, segundo o estudante, é que ela acompanha o movimento da pessoa, possibilitando uma melhor adaptação.

Considerando essas características, Mendes acredita que a iniciativa pode trazer benefícios para a população de amputados, “influenciando ações dos setores público e privado, além de servir como base para a atuação de profissionais da saúde e da engenharia”.

O diretor executivo da startup de impressão 3D responsável pela produção da peça, Daniel Lopes, disse que, após ter recebido o projeto dos alunos, interessou-se pela ideia. “Eles nos procuraram com a ideia, e já aceitamos de cara”, lembrou. Segundo ele, a prótese foi feita com PLA (poliácido lático), um bioplástico obtido a partir da extração do álcool do milho, mais forte e mais leve que o plástico comum.

Subsídio. O projeto foi financiado pelo programa de Serviços em Inovação e Tecnologia do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), o Sebraetec, que financiou 80% do valor dos materiais e da produção da prótese. De acordo com o analista da unidade de inovação e sustentabilidade do Sebrae-MG, Marcelo Bonifácio Peres, o objetivo do programa é incentivar os serviços tecnológicos e de inovação na melhoria de produtos. “Por meio do programa, o empreendedor pode conseguir subsídio de 80% do custo do projeto, até o limite de R$ 30 mil”, informou.

Desde a entrega da prótese, em 23 de junho, Bruno Lohan faz fisioterapia para melhorar a adaptação. “Terei boa parte de minha independência de volta”, comemorou.

Segundo os estudantes, o próximo passo é produzir outras próteses 3D, para atender os membros inferiores.

Fonte: O Tempo

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