Agora é a vez das HRTechs

Redação
setembro26/ 2017

*Por Kleber Piedade

Fintechs, AgTechs, LawTechs, Insurtechs…são incontáveis os termos que surgem para definir as startups que oferecem soluções tecnológicas para determinados segmentos, como financeiro e agronegócios, por exemplo. Basicamente, o que essas empresas fazem é criar soluções inovadoras e tecnológicas para problemas nas suas áreas. Em geral, são soluções disruptivas e escaláveis, que resolvem grandes problemas com um uso da tecnologia.

Essa tendência já é realidade em diversos segmentos, e agora começa a chegar no RH e mais especificamente em Talent Acquisition. A área de Recursos Humanos, que sempre seguiu regras rígidas e processos burocráticos, começa a perceber que é preciso aplicar mudanças significativas para conquistar a atenção dos melhores talentos.

Isso acontece porque a postura e perfil dos candidatos mudou. As novas gerações Y e Z que chegam ao mercado de trabalho são nativas da tecnologia, conectividade e, mais do que isso, procuram por empregos que não se limitem a bons salários. Eles querem atuar em companhias que tenham propósitos e possibilitem uma melhor qualidade de vida. Eles querem processos seletivos mais ágeis, inovadores e transparentes.

Por isso, surgem no mercado as HRTechs (human resources technology), startups que entenderam esse gap da área de recursos humanos e começaram a proporcionar soluções e plataformas que unem a tecnologia e interação entre empresas e candidatos. Ainda pouco difundido no Brasil (segundo a Associação Brasileira de Startups, são apenas 17 em todo o país), o conceito de HRTechs atua com o papel de conectar dois mundos: pessoas que estão procurando emprego (segundo o IBGE, o desemprego atingiu a taxa de 13,2% no primeiro trimestre do ano) e empresas que procuram por candidatos que sejam ideais para suas vagas.

As novas ações de contratações têm sido aplicadas nos processos de trainees e estágio de grandes companhias por meio de chatbots, gamificação, testes interativos, entre muitos outros recursos. Essas ferramentas são de uso comum dos jovens em outras áreas e ajudam a transformar processos antes demorados e desgastantes, em processos interativos, divertidos e práticos, proporcionando uma experiência diferenciada aos participantes.

Muito além de receber e avaliar currículos, as HR Techs conseguem dialogar com os candidatos de forma próxima e verdadeira e ao mesmo tempo traçar seu perfil comportamental e suas competências.

Como toda startup, as HR Techs buscam trazer disrupção e melhorias de custos e eficiência para seus clientes, ou seja, tornando seus processos de contratação mais rápidos e baratos. Big Data e Inteligência Artificial são alguns dos recursos que têm possibilitado grandes avanços no setor, automatizando atividades do cotidiano, gerando insights cada vez mais aprofundados e auxiliando na tomada de decisão.

Vale ficar de olho nesse mercado que está apenas começando e tem muito a oferecer. Assim como tivemos o boom das fintechs, que mudaram a relação das pessoas com os bancos e serviços financeiros, as HR Techs chegaram para ficar e mudar completamente a forma como recrutamos e somos recrutados!

Se você quer ter as pessoas certas na sua organização, é bom se abrir para o novo e entender que este mercado vai mudar rapidamente. As empresas que não estiverem abertas à inovação, perderão competitividade e a habilidade de atrair os melhores talentos.

* Kleber Piedade é CEO da Matchbox e empreendedor serial. Formado na ESPM e com MBA na FIA, trabalhou por 8 anos no marketing de empresas como Diageo e BASF. Em 2011, fundou a Seja Trainee, e iniciou sua trajetória na área de recursos humanos. Hoje, comanda a operação da Matchbox e ainda empreende no segmento de mobilidade urbana, com a E-Moving. Sua missão é criar soluções disruptivas para alguns dos maiores desafios da sociedade.

 

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